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A ESTRATÉGIA DA PUBLICIDADE DOS ULTRAPROCESSADOS.

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Crédito da Imagem: Design by Canva

O documentário "O que se vende, o que se come" promovido pelo IDEC- Instituto de Defesa do Consumidor mostra como a publicidade e as grandes corporações transformaram histórias e desejos em estratégias para vender alimentos, afetando profundamente o que comemos, a saúde pública e o meio ambiente. Começa recontando como antes as histórias eram transmitidas oralmente e hoje viraram ferramentas lucrativas: a publicidade constrói narrativas que fazem produtos parecerem essenciais. No Brasil, desde o século XIX a propaganda de alimentos — como leite condensado, farinhas lácteas e fórmulas infantis — convenceu mães e famílias de que produtos industrializados eram melhores ou necessários, o que chegou a provocar problemas de saúde pública quando fórmulas foram usadas em contextos inseguros.

O documentário explica a classificação dos alimentos pelo Guia Alimentar Brasileiro do Ministério da Saúde (in natura, minimamente processados, ingredientes culinários, processados e ultraprocessados) e alerta para os riscos dos ultraprocessados: ricos em açúcares, sódio, gorduras e aditivos, são pouco nutritivos e estão associados a doenças crônicas, mortes prematuras, depressão e aumento do risco cardiovascular. Estudos citados (Espanha, França) mostram aumentos significativos em mortalidade e incidência de doenças ligados ao consumo desses produtos.

A publicidade atua escondendo a verdade por trás de estratégias enganosas — “ingredientes fantasmas”, alegações de saúde falsas e uso de personagens, embalagens coloridas e influenciadores para criar vínculos com crianças. A autorregulação da publicidade no Brasil (Conar) é criticada por ser formada por interesses da própria indústria e não representar adequadamente o interesse público; isso dificulta a implementação de regras eficazes. Por isso, políticas públicas de rotulagem (como a obrigatoriedade da "lupa" frontal para produtos com excesso de açúcar, gorduras saturadas e sódio) e outras medidas têm sido discutidas e implementadas, embora enfrentem forte lobby e resistência da indústria.

O documentário aborda também impactos socioambientais: a cadeia que abastece a indústria ultraprocessada envolve monoculturas, desmatamento, emissão de gases do efeito estufa e prejuízos a comunidades vulneráveis. Muitas empresas tentam maquiar esses impactos com estratégias de “greenwashing”, enquanto avanços regulatórios e pressão social têm forçado mudanças em algumas práticas.

Outro foco é a proteção das crianças: a exposição precoce a publicidade digital e conteúdo misturado com anúncios dificulta a compreensão do caráter comercial e explora a inexperiência infantil, contribuindo para hábitos alimentares prejudiciais. O documentário lembra que a Constituição e o Código de Defesa do Consumidor protegem a infância e que é dever do Estado, famílias e sociedade garantir alimentação adequada — incluindo regulação da publicidade, rotulagem, preços e acesso para melhorar o "ambiente alimentar".

Por fim, o documentário defende a necessidade de novas narrativas sobre alimentação e existência — além do discurso mercadológico — valorizando produção agroecológica, agricultura familiar e políticas públicas robustas que protejam direitos sociais, a saúde e o meio ambiente. Conclui que regulamentar a publicidade e outras dimensões do ambiente alimentar não limita liberdades, mas amplia a capacidade de escolha real da população e protege a saúde coletiva.

Confira o documentário completo:

Confira também as matérias:

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