Nesta conversa entre Max Lugavere e Louisa Nicola, especialista em saúde cerebral e performance humana, são explorados diversos aspectos relacionados à prevenção da doença de Alzheimer e proteção do cérebro.
Louisa Nicola destaca que as taxas de Alzheimer estão crescendo dramaticamente, com projeções de que o número de casos triplique até 2050, representando um potencial colapso econômico dos sistemas de saúde. A especialista enfatiza que a doença não é determinada geneticamente - apenas 1-5% dos casos são causados por genes que determinam inevitavelmente o desenvolvimento da condição.
A conversa revela que o Alzheimer é uma condição que se desenvolve silenciosamente no cérebro entre 20 a 40 anos antes dos primeiros sintomas aparecerem. Nicola apresenta uma hipótese inovadora sobre a doença: em vez das placas de beta-amilóide serem a causa primária, elas podem na verdade ser uma resposta protetiva do cérebro à inflamação e ao estresse. Segundo ela, o amilóide é liberado pelas células cerebrais quando o sistema imunológico inato é ativado, funcionando como uma molécula protetora que deveria ser naturalmente removida durante o sono através do sistema glinfático.
Um ponto central da discussão é o papel dos hormônios femininos na saúde cerebral. Nicola explica que duas em cada três pessoas com Alzheimer são mulheres, principalmente devido à perda de estrogênio durante a menopausa. O estrogênio atua como um hormônio neuroprotetor, ajudando o cérebro a lidar com o estresse e promovendo a proliferação do BDNF (fator neurotrófico derivado do cérebro). A especialista critica o estudo Women's Health Initiative que, segundo ela, erroneamente assustou mulheres sobre a terapia de reposição hormonal.
Quanto às estratégias preventivas, Nicola e Lugavere discutem extensivamente a importância do exercício físico, particularmente o treinamento de resistência. Eles destacam um estudo com gêmeas que demonstrou correlação direta entre o tamanho dos músculos das pernas e o volume cerebral, além de melhor função cognitiva. O treinamento de resistência estimula a liberação de miocinas - proteínas musculares que atravessam a barreira hematoencefálica e nutrem o cérebro, incluindo o BDNF, catepsina B e IL-6 (que se torna anti-inflamatório quando liberado pelos músculos).
Os especialistas também abordam a importância do exercício de alta intensidade (zona 5), explicando que muitas mulheres desperdiçam tempo em exercícios de intensidade moderada (zonas 3-4) que apenas aumentam o cortisol sem benefícios significativos. Recomendam o protocolo norueguês 4x4 para melhorar o VO2 máximo e discutem como exercícios de alta intensidade podem eliminar células tumorais circulantes.
Sobre nutrição, a conversa destaca a tendência positiva das "garotas sardinhas" - o consumo crescente de peixes gordurosos ricos em ômega-3. Nicola explica que o cérebro é composto 60% por ácidos graxos, sendo 10-15% destes de DHA (ácido docosahexaenóico). O DHA melhora a fluidez da membrana celular e a transmissão sináptica, além de ter potentes efeitos anti-inflamatórios. Ela recomenda consumir pelo menos 2 gramas de DHA e 2 gramas de EPA diariamente e sugere testar o índice ômega-3, que deveria ser de 8% ou mais para benefícios de longevidade.
Por fim, a conversa critica os tratamentos farmacológicos atuais para Alzheimer, como o lecanemab, medicamento ainda não aprovado no Brasil, que apesar de removerem amilóide do cérebro, não melhoram a função cognitiva e podem causar hemorragias cerebrais fatais. Isso reforça a importância das abordagens preventivas através de exercício, nutrição adequada e manejo hormonal apropriado.
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