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PERFORMANCE ESPORTIVA : CARBOIDRATO NA DOSE CERTA!

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Crédito da Imagem: Design by Canva

No vídeo “O mito do carboidrato na performance esportiva”, o nutricionista Henrique Autran usa como fio condutor o artigo de revisão “Carbohydrate Ingestion on Exercise Metabolism and Physical Performance” (Noakes et al., 2026), que analisa mais de 160 estudos sobre ingestão de carboidratos, metabolismo do exercício e desempenho físico.

Ele explica que, por décadas, a narrativa dominante foi a de que a fadiga em exercícios prolongados seria causada principalmente pelo esgotamento do glicogênio muscular, o que levou à recomendação quase automática de altas doses de carboidrato para atletas. O artigo, porém, mostra que essa visão é incompleta: o fator que mais se correlaciona com a interrupção do exercício não é simplesmente o fim do glicogênio muscular, mas a hipoglicemia induzida pelo exercício (EIH), ou seja, a queda da glicose no sangue que o cérebro interpreta como ameaça, gerando a sensação de fadiga e obrigando o corpo a reduzir o ritmo.

Autran destaca que, à luz dessa revisão, fica claro que o músculo não “desliga” por falta de glicose circulante, porque ele trabalha majoritariamente com o glicogênio que já está armazenado dentro dele. Quem realmente dispara a percepção de cansaço é o cérebro detectando glicose abaixo de um certo limiar. Assim, em vez de justificar o consumo exagerado de carboidratos, o artigo reforça que o ponto crítico é evitar a hipoglicemia, mantendo apenas o mínimo necessário de glicose para o sistema nervoso central, enquanto o restante da demanda energética pode ser suprido por outras fontes, especialmente a gordura. A revisão também mostra que atletas adaptados a dietas ricas em gordura apresentam alta taxa de oxidação de gordura e desempenho equivalente, mesmo com menor uso de carboidrato, o que desmonta a ideia de que o carboidrato seria um combustível “obrigatório” para boa performance.

A partir disso, Autran critica a cultura esportiva que ainda promove doses muito altas de carboidrato como se fossem sinônimo de melhor rendimento. Ele ressalta que o grande benefício da ingestão de carboidrato durante o exercício, segundo o próprio artigo, é prevenir a hipoglicemia e, portanto, a fadiga mediada pelo cérebro, especialmente em esforços muito prolongados ou em indivíduos com menor capacidade de produzir glicose pelo fígado.

Isso não significa que mais carboidrato sempre será melhor, mas que a estratégia inteligente é garantir o mínimo necessário para o cérebro, enquanto se treina o metabolismo para usar gordura de forma eficiente.

No fim, a mensagem central do vídeo é que o mito não está no carboidrato em si, e sim na crença de que altas doses são indispensáveis para a performance: quando se entende o papel da glicose sanguínea, do glicogênio muscular e da percepção cerebral de fadiga, fica evidente que eficiência metabólica e flexibilidade de combustível importam muito mais do que simplesmente “encher o corpo de carboidrato”.

Confira o episódio completo:

Confira também a matéria:

https://www.metabolichealthbrasil.com.br/news/?url=atletas-diabeticos!-o-que-acontece?

Confira o artigo científico sobre o tema:

https://academic.oup.com/edrv/advance-article/doi/10.1210/endrev/bnaf038/8432248