O médico Dr. Guilherme TaKassi explica que o processo oxidativo é um dos pilares silenciosos por trás das principais doenças crônicas da atualidade. Ele compara a ação dos radicais livres à ferrugem que corrói um metal: um desgaste progressivo, invisível e que, quando não controlado, abre caminho para infartos, AVCs, câncer e doenças neurodegenerativas. Para ele, compreender esse mecanismo é essencial para entender por que tantas pessoas adoecem mesmo sem sintomas aparentes.
O apresentador detalha que os radicais livres surgem naturalmente durante a produção de energia nas mitocôndrias. Em condições ideais, o corpo neutraliza essas moléculas por meio de enzimas como superóxido dismutase, catalase e glutationa peroxidase. O problema começa quando há desequilíbrio: excesso de produção ou queda na capacidade de neutralização. É nesse ponto que surge o estresse oxidativo, estado que acelera o envelhecimento celular e favorece inflamação e danos estruturais profundos.
O estilo de vida moderno, segundo o médico, é um terreno fértil para esse desequilíbrio. Excesso de calorias, sedentarismo, sono ruim, estresse crônico, álcool, poluição e deficiências nutricionais prejudicam a eficiência mitocondrial. Quando a “máquina” perde performance, mais elétrons escapam antes da hora e reagem com o oxigênio, formando radicais altamente reativos — especialmente o radical hidroxila, o mais agressivo de todos, capaz de danificar DNA, proteínas e membranas celulares.
Esse mecanismo explica por que o estresse oxidativo está ligado a doenças cardiovasculares, mesmo em pessoas com colesterol normal. O radical livre “quebra o azulejo” do endotélio, facilitando o depósito de colesterol e a formação de placas. No câncer, o radical hidroxila pode atingir genes supressores de tumor, removendo mecanismos naturais de proteção. Já no cérebro, o risco é ainda maior: apesar de representar menos de 2% da massa corporal, o órgão consome cerca de 20% do oxigênio, criando um ambiente perfeito para a formação de radicais livres e para a oxidação dos lipídios que compõem os neurônios.
TaKassi reforça que não existe um único exame capaz de diagnosticar estresse oxidativo. O médico utiliza um conjunto de marcadores, como Gama-GT — ligado à reciclagem da glutationa — e ferritina, que aumenta quando o corpo tenta “esconder” o ferro para evitar reações perigosas. Alterações nesses parâmetros sugerem que o organismo está lutando para lidar com o excesso de radicais livres, um sinal de alerta que merece atenção.
Ao final, o Dr. Takassi destaca que o objetivo não é eliminar os radicais livres, mas restaurar o equilíbrio. Isso envolve otimizar a função mitocondrial, garantir nutrientes essenciais, melhorar o sono, reduzir o estresse e evitar excessos alimentares. E aqui está o convite direto ao leitor: assumir o comando da própria saúde. O Dr. deixa claro que o corpo responde quando você decide agir — não amanhã, não quando der tempo, mas agora. Cada passo consciente que você escolhe iniciar hoje redefine o rumo da sua vitalidade e do seu futuro.
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