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CRITÉRIOS DIAGNÓSTICOS PARA A OBESIDADE QUE JÁ DEVERIAM ESTAR EM USO!

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Crédito da Imagem: Design by Canva

Em janeiro de 2025, a revista The Lancet Diabetes & Endocrinology publicou um importante artigo propondo uma nova definição e critérios diagnósticos para a obesidade, resultado de um trabalho colaborativo que envolveu 56 especialistas internacionais e recebeu o endosso de 76 países. A iniciativa, liderada pelo Professor Francesco Rubino do King's College London, surgiu da constatação de que, apesar de a obesidade afetar aproximadamente um oitavo da população mundial, não existia um consenso global sobre sua classificação e definição. A principal inovação do documento é a distinção entre "obesidade clínica", caracterizada como uma doença sistêmica crônica causada pelo excesso de adiposidade, e "obesidade pré-clínica", definida como uma condição de excesso de gordura sem disfunção orgânica atual, mas com risco aumentado para problemas futuros.

A nova proposta reconhece as limitações do IMC como único parâmetro de avaliação e incorpora outras medidas antropométricas, como circunferência da cintura, razão cintura-quadril e razão cintura-altura. Em resposta a esta publicação, a SBEM e a ABESO organizaram um debate online com especialistas brasileiros, incluindo os doutores Neuton Dornelas, Paulo Miranda, Fábio Trujilho, Bruno Halpern e Cynthia Valerio, para discutir a aplicabilidade destes critérios no contexto brasileiro. Durante o debate, foi enfatizado que o diagnóstico deve se tornar mais clínico, potencialmente reduzindo a necessidade de exames complementares, e que cada paciente necessita de uma abordagem individualizada. Os especialistas destacaram que, embora o IMC continue sendo um marcador importante, ele deve ser associado a outras variáveis, uma prática que já era adotada por muitos profissionais, mas que agora ganha respaldo oficial.

A implementação desta nova estrutura diagnóstica visa promover um gerenciamento mais acessível e eficaz da obesidade, reconhecendo que as políticas atuais para acesso a tratamentos são inadequadas e precisam ser atualizadas para priorizar os casos mais urgentes. O documento também destaca a necessidade de considerar as variações regionais e continentais do Brasil no tratamento da obesidade. Os especialistas concordaram que, embora o documento seja um importante ponto de partida, ainda necessita de refinamentos e adaptações para sua implementação efetiva no contexto brasileiro. A nova abordagem permitirá uma melhor estratificação da obesidade clínica em diferentes subtipos, possibilitando um tratamento mais personalizado e eficaz, com o objetivo final de melhorar a qualidade de vida das pessoas que vivem com esta condição.

 

Confira o artigo "Definition and diagnostic criteria of clinical obesity" publicado na revista The Lancet Diabetes & Endocrinology  registrando-se no site "The Lancet" 

Confira o artigo da Abeso com a discussão sobre o tema no link https://www.endocrino.org.br/noticias/especialistas-da-sbem-e-abeso-debatem-os-novos-criterios-da-obesidade/.

Confira no Guia Prático um indicativo simples de como está sua saúde metabólica.